O Ceará atingiu em 2011 o valor de US$ 1,403 bilhão em exportações, indicando crescimento de 10,5% em relação a 2010. Apesar desse crescimento, a balança comercial cearense fechou o ano com déficit de US$ 1 bilhão. O crescimento registrado é também inferior ao acumulado das exportações brasileiras (26,8%) e da região Nordeste, 18,7%.
A balança comercial brasileira permaneceu superavitária em US$ 29,7 bilhões. Já o valor exportado e o valor importado pelo Ceará em 2011 foram os maiores dos últimos dez anos. O Ceará também terminou o ano de 2011 na 14ª posição dentre os estados brasileiros exportadores, e na terceira posição dentre os nordestinos. Os dados são do trabalho Ceará em Comex, elaborado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN) da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), com base em dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).
Com relação aos setores exportadores cearenses, os cinco principais são calçados, castanha de caju, couros, fruticultura e têxteis, responsáveis por 66,3% do total exportado pelo estado no ano passado. Calçados é o principal setor exportador, mas permanece em queda (9,3%) quando comparado a 2010. Dentre os principais setores exportadores, eletrônicos e eletrodomésticos, têxtil, confecções, máquinas e metal-mecânico e móveis são os únicos que apresentam saldo comercial negativo em 2011. No ano passado, os dez principais produtos exportados pelo Ceará representaram 61,7% do valor total exportado pelo Ceará.
O Porto do Pecém foi o principal corredor de exportação, registrando alta de 18,2% comparação a 2010, seguido pelo Porto de Fortaleza (Mucuripe), com alta de 7,5%. Juntos, os dois portos foram responsáveis pelo escoamento de 88,5% das exportações cearenses. Dentre os corredores de exportação, destaca-se o porto de Parnamirim (RN), que registra aumento de 80.373,3% devido, principalmente, à exportação de melões frescos.
No que diz respeito às importações, o crescimento cearense em 2011 (10,8%) é inferior ao crescimento das importações brasileiras (24,5%). Os dez principais produtos importados pelo Ceará representam 40,9% do valor total importado, com destaque para as importações de castanha de caju, fresca ou seca, com casca, oriundos de Gana, Guiné-Bissau, Costa do Marfim e Nigéria. É importante destacar que ambos os produtos não registram participação em 2010. Outros destaques são a importação de algodão simplesmente debulhado, não cardado nem penteado, oriundo dos Estados Unidos e da Argentina, com crescimento de 255%; outros tipos de algodão não cardado nem penteado (NCM 5201.00.90), oriundos sobretudo dos Estados Unidos, com crescimento de 362%; e óleo de dendê, em bruto, oriundo da Colômbia, com crescimento de 399,8%.
Com base nesses números, os responsáveis pelo levantamento no CIN apontam que 2011 foi um ano para se comemorar, mas que é preciso cautela no futuro. A partir do segundo semestre de 2011, a evolução das exportações cearenses já apontava para superar o valor absoluto alcançado em 2010, quando o estado vendeu para o exterior US$ 1,269 bilhão. Era de se esperar, portanto, que o total a alcançar em 2011 ultrapassaria US$ 1,3 bilhão. Ultrapassar US$ 1,4 milhão associava-se a uma probabilidade muito animadora, porém com indicador bem menor de se alcançar. No entanto, foi exatamente isso que aconteceu. O final do exercício apresentou um total exportado de US$ 1,403 milhão. Marca para comemorar, sem dúvida.
No entanto, há o reverso pouco observado da evolução dos números. Em 2009, relativamente a 2008, as exportações cresceram 9,3%. Em 2010, relativamente a 2009, o crescimento havia reduzido para 8,%. Entretanto, em 2011, relativamente a 2010, o indicador havia caído para 7,5%. Essa tendência descendente é preocupante. Ainda que se registre a tendência descendente, ela não é inteiramente desfavorável à sustentabilidade das empresas. No mercado globalizado, o Brasil é visto nos demais blocos econômicos como excelente espaço para realizar vendas.
Raciocinando por analogia, empresas brasileiras que optam por vender no mercado interno, em vez de exportar, também estão fazendo bons negócios. Evidentemente, o preferível seria a expansão nos dois vetores: o interno e o externo. Vale considerar, porém, que em época de crise essa dupla expansão não é fácil de alcançar. Numa visão de conjunto, e em termos de valores exportados, o Ceará teve um bom desempenho, todavia com o alerta para aumentar os índices percentuais, paralelamente aos valores absolutos, nos anos seguintes.
Quando se passa para as importações, o quadro se inverte. Crescem os valores absolutos importados, enquanto que variam os índices de ano para ano. Em 2009, foram importados US$ 1,230 bilhão, menos 21% sobre 2008, deixando um saldo negativo de US$ 150 milhões na balança comercial. Em 2010, a importações subiram drasticamente, alcançando US$ 2,169 bilhões, equivalentes a 76,3% acima de 2009, fazendo o saldo negativo da balança comercial subir para US$ 899 milhões. Nova elevação ocorreu em 2011, com importações da ordem de US$ 2,403 bilhões, correspondendo a 10,8% a mais sobre 2010.
Na configuração aparente, são números de coerência difícil de identificar. Porém, são explicáveis e inteligíveis. Em primeiro lugar, as importações do Ceará se mantêm em nível sempre próximo de 1% das importações globais do Brasil. Na realidade, variam entre 0,9 a 1,2% no período de 2008 a 2011. Essa magnitude interfere muito pouco nas contas externas do país. Não preocupam, portanto. Mais importante é levar em conta a natureza dos produtos importados. Todos são essenciais: seja como matérias-primas que alimentam o setor produtivo, seja como máquinas que se incorporam a conjuntos motrizes mais complexos, seja como alimentos de consumo essencial, seja como combustíveis que movimentam a frota rodoviária e máquinas acionadas por combustíveis fósseis; assim por diante… Não se registram importações de produtos supérfluos.
Nesse sentido, o estado do Ceará vem acompanhando o ritmo de crescimento observado no Brasil. Todavia, necessita acelerar acentuadamente esse ritmo. Já houve períodos em que o Ceará crescia a taxas maiores que a da média brasileira. Agora, observa-se o inverso. O Brasil cresce mais rápido. Para que tal venha a efetivamente a ocorrer, vale registrar que, em boa hora, os investimentos estruturantes encontram-se em instalação.
Fonte: Portal Fiec Online
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